“Não deixo o amor acontecer”

Foi com Angélico Vieira que aprendeu tudo aquilo que sabe sobre carros, com ele aprendeu o significado de um ‘aileron’ e outras tantas coisas. Memórias que a actriz usa para desempenhar ainda melhor o seu novo papel na TVI

Aos 30 anos, Rita Pereira vive um novo desafio. A actriz é uma das protagonistas na recém-estreada novela da TVI. Em ‘Destinos Cruzados’ é Fernanda Moreira, talvez, como a própria reconhece, a personagem que interpretou até hoje que mais tem de si. Rita Pereira aponta o lado descomprometido da personagem, a ligação à família, à irmã, o feitio despachado e desenrascado da personagem como principais pontos em comum. A actriz é feliz a representar e realiza-se neste novo desafio no papel de uma mecânica, personagem que a leva até ao mundo automóvel, um meio que era caro para Angélico Vieira, ex-namorado e amigo e com quem aprendeu tudo o que hoje sabe sobre carros. É com carinho que a actriz recorda esses tempos. É com muito respeito que olha para os automóveis. Afinal, foi ao volante de um carro que o actor e cantor perdeu a vida tragicamente, em Junho de 2011.

Está de volta às novelas com ‘Destinos Cruzados’. Quem é Fernanda Moreira?

É uma mulher cheia de garra. O (António) Barreira [o autor da novela] costuma dizer que é um bocadinho um furacão.

Um pouco parecida consigo, não?

É um bocadinho (risos). Tem educação, mas cresceu num bairro em Oeiras, os pais sempre passaram por algumas dificuldades financeiras e ela é que toma conta da família. Depois é uma mulher, como ela própria diz, que “não papa grupos”, que diz tudo o que tem a dizer e não leva nada para casa.

 

Insisto. Esta personagem é escrita por alguém que a conhece bem.

(risos) Sim, é escrita por alguém que me conhece muito bem. É uma personagem do núcleo cómico, o que me deixou também muito contente. Ela e a família são proprietárias de uma sucateira, ela conduz um reboque e, à noite, corre em corridas ilegais de ‘street racing’, o que é uma loucura.

Exigiu-lhe uma preparação especial?

Tive a oportunidade de assistir a corridas ilegais e durante uma semana estive a aprender numa oficina. Tive ainda algumas aulas para saber como usar um reboque e aulas de condução defensiva para saber fazer peões e conduzir a alta velocidade na chuva. Esta foi sem dúvida a personagem onde trabalhei mais o lado profissional. Não quero que as pessoas em casa – aquelas que realmente percebem de mecânica – digam que não faço ideia do que estou a fazer.

E gosta deste trabalho de preparação da personagem?

Adoro! Essa é a melhor parte para mim. Não sou uma amante de carros nem da velocidade. Gosto de carros – sempre gostei e sempre estive rodeada de amigos que gostavam bastante de carros – e sempre fui muito desenrascada. Sei mudar um pneu e, se o carro tem algum problema, consigo perceber qual é. Não sou daquelas mulheres que está a zero – tenho muitas amigas que acham que se o carro começa a piscar pensam que estão a fazer pisca e não percebem que o carro vai explodir a qualquer momento.

Diz que gosta de carros, mas não é fã. O facto de o Angélico Vieira, seu ex-namorado, ter morrido de forma trágica num acidente de carro contribui para isso? Esta experiência leva-a de volta a esse momento fatídico?

Não gosto de falar nisso, mas quando conheci o argumento já sabia que era inevitável acabarem por me perguntar isso. Não vou mentir, não vou dizer que não me leva a esses momentos. Claro que leva e tem sido difícil. As aulas de condução defensiva foram difíceis. Tive momentos difíceis mas também não posso quebrar, afinal, é o meu trabalho. Foi a personagem que me foi dada e é uma personagem divertida. É isso que tenho de passar às pessoas e estou a gostar muito de a fazer.

Mas teve medo nas aulas?

Tive muito receio. A primeira vez que entrei no carro e o professor fez um peão desatei a chorar porque foi um choque. Tenho medo, não gosto. Conduzo rápido se estiver sozinha. Se estiver com pessoas no carro não o faço. Para mim, é impensável alguém conduzir depressa enquanto estou no carro. Não gosto mesmo, não me sinto bem. E aquele momento em que o professor nos conduziu – a mim e ao Rodrigo – e deu aquele primeiro peão eu senti…

Ficou abalada.

Sim, mas passou.

Também não é de baixar os braços.

Nem pensar. Logo a seguir peguei no carro e fiz eu o peão. Estou uma ‘croma’ em peões. Aquelas aulas foram muito boas para mim, passei a sentir uma segurança diferentes. Sinto-me mais segura a partir do momento em que percebi como tudo se processa. Vemos nos filmes mas não fazia ideia de que é possível fazer aquele tipo de cenas em segurança. Portanto foi muito bom para mim ter conseguido fazer aquele ‘workshop’.

É público o gosto de Angélico Vieira por carros.

Sim. Ele amava os carros. “Tens de pôr isto, de pôr aquilo”. Estava sempre a dizer-me: “Como é que tu andas com um carro assim”. Às vezes chegava a casa e ele tinha transformado o carro todo, colocava umas coisas novas e eu perguntava para que era aquilo. As coisas que sei aprendi todas com o Angélico. Se percebo um bocadinho de ‘tunning’ foi com ele que aprendi. Se sei o que é um ‘aileron’ – para mim é um raio que está ali atrás – foi ele que me ensinou. Aprendi com o Angélico porque ele gostava dessas coisas. Tudo o que aprendi com ele hoje serve-me para alguma coisa e é bom.

Sei que não gosta de fazer planos a longo prazo, já mo disse, mas o que é que a curto prazo deseja mais para si?

Não modifiquei nada. Vivo os momentos. Por exemplo, ia gravar exteriores e, como chovia torrencialmente, ligaram-me a cancelar. Podia ter feito como a maioria e ficar em casa a descansar. Em vez disso peguei no carro e fui para o Alentejo com a minha cadela passear e andar a cavalo. Tento sempre aproveitar os momentos.

 

Já pensou em ir trabalhar para o estrangeiro?

Já pensei muito e quero! É um objectivo. Gostava muito de trabalhar no Brasil, como 99%  dos meus colegas. É um cliché, mas é verdade. Nós falamos a mesma língua e crescemos a ver novelas brasileiras, portanto é normal, enquanto actores, que queiramos experimentar trabalhar ali.

Tem namorado?

Não respondo a isso.

Gostava que este ano lhe trouxesse uma nova paixão?

Não tenho pensado muito nisso. Portanto, quando não se pensa muito nisso, também não se procura e não se deixa acontecer.

Não se deixa acontecer?

Não, acho que não. Acho que quando não se pensa no amor também não se deixa acontecer.

Apaixonar-se é algo que não está no seu pensamento, é isso?

Ainda não.

Scans

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Sessão Fotográfica

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[Destinos Cruzados] Episódio 5 – 31 de janeiro

Fernanda saiu do acidente praticamente ilesa. Lourenço mostra-se extramente preocupado com o corte que a sua oponente tem na cabeça, para desespero de Bárbara que percebe que o seu plano falhou.

Lourenço consegue convencer Fernanda a levá-la a casa, mas a mecânica prefere que ele a deixe no ferro velho. Ao entrar sozinha no seu local de trabalho, a jovem é surpreendida por Xavier que lhe exige o dinheiro. Sem modo de se libertar, Fernanda tenta fazer frente ao agiota, mas é Lourenço quem aparece para salvar a situação dando o dinheiro da corrida a Xavier.

Fernanda fica furiosa com Lourenço e afirma não precisar da sua caridade, mas ele cala-a com um beijo que a deixa desconcertada.

Ao chegarem a casa, Laura e Humberto iniciam uma discussão e Humberto conta às filhas e ao sogro o que Laura fez, sem que esta nunca confirme ou desminta. Humberto tenta bater em Laura, mas Fernanda interpõem-se entre os dois e quase acaba por ser alvo da raiva do pai. No entanto, Laura percebe que tem mais a ganhar se defender a suposta filha.

Entretanto, Bárbara e Lourenço discutem, pois a rapariga sente-se insegura e ele sente-se sufocado pela namorada. Além disso, Lourenço continua chateado, pois as consequências do acidente de Fernanda poderiam ter sido maiores.

[Destinos Cruzados] Episódio 4 – 30 de janeiro

Preocupada com o avô, Fernanda corre para a sociedade recreativa e aí descobre por Inácio que a sua mãe está desaparecida e sai para procurá-la, achando que Xavier pode ter cumprido a sua promessa.

Mais uma vez, Lourenço deixa Bárbara pendurada para ir disputar a corrida com Fernanda. Por seu turno, a mecânica anda desesperada à procura da mãe.
Sentindo-se humilhada, Bárbara decide pôr em ação um plano que crê afastar Fernanda da corrida e da cabeça do namorado.

Preparado para a corrida, Lourenço espera por Fernanda que está atrasada devido ao plano de Bárbara. Quando Lourenço estava prestes a desistir, Fernanda aparece.
Com o pouco dinheiro que Laura encontrou na carteira de Sílvia, a mulher de Jaime decide comprar roupa nova e descontrair num bar.

[Destinos Cruzados] Episódio 3 – 29 de janeiro

Sónia, Rufino e Moisés vão até ao hospital para ter notícias de Sílvia, mas encontram Inácio desalentado e preocupado com Fernanda que foi, tempestuosamente, procurar pela mãe. Sónia fica impaciente com o feitio da irmã e Moisés defende a namorada. Tentando salvar a situação, Moisés oferece-se para ir procurá-la.

Entretanto, Fernanda está com Laura, achando que é a sua mãe. A jovem mostra-se preocupada com o estado de saúde da mãe, enquanto esta tenta desesperadamente sair do hospital para que não seja reconhecida. Laura finge-se desorientada para que Fernanda não desconfie do seu estranho comportamento.

Laura é levada para casa de Sílvia onde tenta livrar-se daquelas pessoas que não conhece e que a deixam desconfortável. Todos estranham o seu comportamento brusco e distante, mas atribuem-no ao facto de estar atordoada com o acidente, desculpa que a própria usa quando sente os olhares cravados em si. Mas, na verdade, Laura estranha e despreza toda aquela vida e família que não é a sua. Durante a noite, tenta sair de casa sem ser vista, mas a filha mais velha apanha-a antes de pôr o pé na rua.

Enquanto Laura se tenta livrar desta nova vida, Sílvia continua no hospital alvo de todas as acusações que eram dirigidas à sua sósia.
Na manhã seguinte, Humberto regressa a casa encetando uma grande discussão com Fernanda, que está furiosa pela falta de apoio do pai. Para surpresa geral, a nova Sílvia tem uma posição dura com o marido e despreza-o, ao contrário do que seria normal.

Ao entrar no ferro velho, Fernanda é surpreendida por Xavier, que lhe vem cobrar o dinheiro prometido. Ao perceber que a jovem não tem a quantia necessária, o agiota ameaça ir atrás da sua família caso ela não arranje o dinheiro até à meia-noite.