“Falam de mim porque vende”

Actriz estreia-se no cinema com o filme Sei Lá, realizado por Joaquim Leitão. Chega às salas a 3 de Abril

O filme Sei Lá, baseado no livro homónimo de Margarida Rebelo Pinto, realizado por Joaquim Leitão, estreia a 3 de Abril. Rita Pereira é uma das protagonistas da película, sendo que esta é a sua grande estreia em cinema.

Que personagem interpreta no filme?

Sou a Odete, uma jovem que vem da margem sul e cujo sonho é ser conhecida ou viver no mundo dos famosos. É uma das personagens cómicas do filme e adorei fazer o papel.

Como foi escolhida?

Fiz um casting. Fui chamada já há dois anos, quando o filme era para ter sido feito. Mas, entretanto, o projecto foi adiado. E ainda bem, porque, naquela altura, não tinha sido seleccionada. Desta vez, as coisas correram melhor. Este é o meu primeiro filme e nem queria acreditar.

Considera este o seu primeiro filme, embora já tenha feito outro?

Sim. O outro foi uma versão para cinema de Morangos Com Açúcar. Mas não deixa de ser algo tratado como televisão.

Ficou satisfeita com o resultado?

Sim.

Leu o livro?

Não. Li apenas o guião. Não sei dizer se o filme é fiel ao livro.

Foi difícil entrar no papel da personagem?

Um bocadinho. A Odete é muito exuberante, fala muito rápido e faz muitos gestos. Para mim, o mais difícil foi conseguir fazer com que a minha dicção fosse suficientemente boa para se colar à personagem.

A sua carreira dispersa-se por várias áreas, mas a televisão é a mais relevante. Consegue escolher um ponto alto como actriz?

Sim. O facto de ter feito parte do elenco de Meu Amor, da TVI, a primeira novela portuguesa a ganhar um Emmy. Essa experiência foi a cereja no topo do bolo.

E agora, que experimentou o cinema?

Quando se faz cinema, já não se quer fazer outra coisa. Adoro fazer televisão, mas amei fazer cinema.

São linguagens diferentes, não é verdade?

É. Basta dizer que nós, em televisão, gravamos 30 cenas por dia; em cinema, fazemos três ou quatro no mesmo período de tempo. A diferença é brutal.

Qual foi a personagem de novela que, até agora, mais a marcou?

A que interpretei em Doce Fugitiva.

Porquê?

Pela abordagem que as pessoas me faziam na rua, pela equipa fantástica com a qual trabalhei. E, depois, porque a Estrelinha era uma personagem cómica e eu gosto do género.

Já fez teatro. Não pensa voltar aos palcos?

Fiz uma comédia musical chamada Os Produtores. Claro que penso voltar aos palcos, mas não tenho conseguido conciliar os meus compromissos com essa vontade. Quando fiz Os Produtores, estava a fazer novela ao mesmo tempo. Durante quatro meses, dormia quatro horas por dia. Foi muito difícil.

Tem sido alvo de muita contestação nas redes sociais. Como lida com isso?

Há uns anos, ficava muito mal, sentia uma grande tristeza e um grande incómodo. Hoje em dia, já não.

Por que é que acha que gera tanto burburinho?

Falam de mim porque vende. Se eu não vendesse revistas, nada disso acontecia.

Inventam muitas histórias sobre si?

Claro. Posso dizer que 90% das coisas que têm sido publicadas sobre mim são mentira.

Fez vários anos de ballet. É daí que lhe vem a paixão pela dança?

Sim, a dança anda sempre comigo.

Mas também jogou básquete e até foi atleta federada…

Joguei durante cinco anos. Sou apaixonada pelo basquetebol. Costumo viajar para Miami para ver os jogos. E sou, com muito orgulho, madrinha da selecção portuguesa de basquetebol.

Está ligada a acções de voluntariado. Quer falar-nos disso?

Faço voluntariado no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa. Visito as crianças que lá estão internadas.

Já testemunhou casos complicados?

Soube que o maior sonho de uma das crianças era o de me conhecer. Fui vê-la e ela pouco depois morreu. Foi algo que me marcou muito.

Conversa com Cláudio Ramos: Sem namorado “por falta de tempo”

A rubrica Conversa com… da coluna semanal de Cláudio Ramos na revista tvmais tem como entrevistada Rita Pereira. A entrevista foi realizada aquando do lançamento do livro da nutricionista Ana Bravo, tendo sido gravada e também transmitida na rubrica do programa matinal da SIC, Jornal Rosa.

Não é difícil conversar com Rita Pereira, ela sabe muito bem o que quer e tem a enorme facilidade de conseguir passar a mensagem que pretende. Encontrei-a no lançamento do livro de Ana Bravo e aproveitei para trocar dois dedos de conversa sobre muitas das polémicas em que está envolvida, “sem querer, que eu não faço nada para que isso aconteça!”. No lançamento de um livro de dieta alimentar, teria de falar com ela sobre tudo o que se diz sobre o seu corpo. “Não faço questão de ser magra! Não conseguiria sê-lo e gosto de ser assim. Gosto do meu corpo, e descobri um método de treino, que é o Crossfit, que faço todos os dias 30 minutos. Junto isso a uma alimentação regrada e consigo o equilíbrio que procurava!” É desta forma que a atriz responde a todos aqueles que insinuam que o seu corpo foi feito com bisturi. E quando lhe pergunto porque acha que por isso dá tanto que falar, é rápida na resposta. “Quem escreve sabe que vai vender! Noto isso pela reação que tenho nas minhas redes sociais das pessoas que me seguem. É juntar 2+2: escrever sobre a Rita é venda na certa!” A estrela da TVI defende-se, dizendo que não tem culpa de gerar tanta conversa nem de estar envolvida em polémicas, “muitas delas absurdas, como o caso das fotografias em Moçambique, para a Micaela Oliveira”. E explica: “Basta as pessoas pensarem… O que tenho eu a ver com o assunto? Sou uma profissional que foi contratada para fazer umas fotografias. Foram realizadas de forma irrepreensível e nós falámos com uma família para aparecerem. Ou passou pela cabeça de alguém que obrigámos seja quem for? Ou mais absurdo ainda, que tenhamos aproveitado a pobreza para promover a riqueza, como vi escrito?”. Rita sabe que é uma pessoa que causa invejas. (“eu e toda a gente nesta profissão que tenha um bocadinho de sucesso”). Mas a verdade é que está sozinha. Não tem namorado. Começa por dizer-me que é por “falta de tempo!”. Digo-lhe que os homens têm medo dela, do que ela representa. “Também pode ser verdade…” E arrisco-me um pouco e vou mais longe, perguntando-lhe se o coração dela nunca mais foi o mesmo desde a tragédia de Angélico… Os olhos brilham de repente: “Nem nunca mais será! Nunca mais serei a mesma pessoa…”