O lado bom da fama

O ballet e o basquete foram as suas primeiras paixões, mas foi como actriz que conquistou o grande público. A experiência ensinou-a a driblar bem os inconvenientes da fama, e se no amor joga à defesa, na carreira não para de marcar pontos. Desconto de tempo para Rita Pereira.

Chega à esplanada do Bairro Alto Hotel impecavelmente a horas e ri-se quando lhe pergunto se alguma vez tem de esperar por mesa. Não, não tem. “É uma das coisas boas de se ser famoso: tenho sempre mesa nos restaurantes. E não fico à porta das discotecas.”

Pronto, esse é um mito que é verdade. Um mito que é mentira: “Não somos nada bem tratadas pelos polícias. Pelo contrário: fazem questão de nos multar o mais que podem, para mostrar que não somos especiais…” (risos)

De qualquer maneira, Rita é conhecida por ser das actrizes mais queridas do público. Ela faz questão de manter o ‘status’: “Já aprendi a lidar com isso. Faz-me confusão os actores que desprezam o seu público. Sei que se for a uma praia não vou ter um momento de sossego. Mas já vou preparada para isso. E não deixo de ir à praia por causa dos fãs.”

Mas é verdade que a falta de uma vida privada normal acaba por afectar… a vida privada, a amorosa especialmente. “Afecta não apenas a atitude dos homens em relação a mim como também a minha postura em relação a eles.” Pode explicar? “Tenho muita dificuldade em confiar, porque muita gente se aproxima de mim por interesse. Portanto, obrigado a pessoa a passar por vários ‘testes’.”

A propósito de namorados, diz que está cada vez mais exigente. “Num homem exijo inteligência, associada a sentido de humor. Gosto de dizer uma piada e não ter de explicar. Se ele gostar das mesmas coisas que eu – basquete, viajar, família – melhor. Mas é só um ‘se puder ser’…” (risos)

O Dom da Felicidade

A fama não lhe roubou a expansividade: sempre foi comunicativa, e embora esteja mais protegida, continua a adorar estar com pessoas. Quando se sente mais em baixo, a sua forma de recarregar energias é devolver o carinho que recebe: “Vou ao Hospital da Estefânia e durante duas horas entro nos quartos dos miúdos, converso uns minutos com cada um, roubo-lhes uns sorrisos, ouço coisas como ‘o meu filho está aqui há seis meses e disse-me que hoje foi um dos dias mais felizes da vida dele’ e isso recorda-me das coisas boas de se ser conhecido: poder fazer os outros felizes.”

Senhora Embaixadora

“Tornei-me embaixadora da marca Oriflame de uma maneira muito engraçada. Tinha um fã que desenhava extraordinariamente bem, e sempre que havia sessões de autógrafos ele oferecia-me uns desenhos. Comecei a falar com ele, vi que era um miúdo normal e permite que entrasse no meu Facebook pessoal. Ele trabalhava na Oriflame e um dia fui contactada por um colega de trabalho que lhe estava a preparar uma festa surpresa. Claro que fui, ele não estava à espera e desatou a chorar. Passados uns dias, convidaram-me para ser embaixadora. Portanto, para mim, a Oriflame não é só mais uma marca, tenho com eles uma relação mesmo pessoal.”

Selfie

“Cresci em Carcavelos, os meus pais são professores. Vivi no Canadá dos 3 aos 6 anos. Lembro-me de usar um daqueles fatos da neve fechados até acima. O meu pai foi levar-me ao autocarro da escola e eu queria dizer adeus mas não conseguia porque ficava com metade da cara afogada no capuz (risos).

Gostei de lá viver, para mim era uma aventura, não era como para os meus pais, uma tentativa de ter uma vida melhor, que não vingou.

Não escolhi ser actriz. Queria ser bailarina e também jogava basquete. O meu pai foi jogador e treinador. Aos 14 e 15 anos, quando todas as minhas amigas iam sair à noite eu não ia porque no dia seguinte, às 9 da manhã, o meu pai ia jogar com os amigos e eu ia também, na esperança que algum faltasse e eu pudesse entrar. Agora faço muita coisa para manter a forma, porque não lido bem com a rotina. Treino todos os dias. Faço cross fit, aulas de dança e aulas de ginásio.

Tirei o curso de comunicação e publicidade e trabalhei muito como promotora, estava à porta das lojas a dar folhetos. Depois passei a manequim. Aos 20 anos, a L’Agence mandou-me ao casting dos Morangos. Ser actriz não fazia parte dos meus planos. Se estivesse em frente ao espelho era a ver quanto tempo conseguia fazer rolar¨uma bola num dedo.

Não gosto de fazer de ‘boazinha’, mas tento dar alguma profundidade às personagens. Ainda não me considero actriz. Não fiz conservatório porque não tinha dinheiro, mas entretanto estudei no Lee Strasberg, no Rio de Janeiro, em Madrid, e aprendi muito mais do que os meninos do Conservatório que me olhavam de alto quando comecei. Mas continuo a sentir que me põem à prova constantemente. O sucesso extra-actriz faz confusão a muita gente.”

Gostos & Desgostos

“Gosto de ir às compras com amigas que pedem ajuda para escolher roupa. Às vezes também vou a casa delas para as ajudar a fazer conjuntos. Consigo perfeitamente imaginar o que ficaria bem àquela pessoa.”

“Na moda, não gosto de colãs cor de pele (como nunca havia na minha cor ficavam-me sempre mal e deixei de usar) e sutiãs com alças de silicone. Também não adoro folhos e flores aplicadas, daquelas em relevo.”

Câmara Exclusiva – Rita Pereira comemora 10 anos de carreira

Foi Soraia em Morangos com Açúcar, a inesquecível Estrelinha em Doce Fugitiva e mais recentemente Mel na primeira novela vencedora de um Emmy em Portugal, Meu Amor. A completar agora 10 anos de carreira, o programa da TVI Ficção Câmara Exclusiva foi, no passado sábado, totalmente dedicado à actriz.

Rita Pereira recordou o início da sua carreira e alguns dos momentos da mesma e improvisa no palco com Os Improváveis. É ainda desvendado um pouco da conversa que a actriz teve no programa Suíte nº 7 que irá para o ar na próxima terça-feira, 29 de Abril, também na TVI Ficção.

5 Para a Meia-Noite – Entrevista a Rita Pereira (10.04.2014)

Após ter sido cancelada a sua presença no programa no dia 3 de Abril, esta fez-se a 10 de Abril.

Rita Pereira, Joaquim Leitão e Sara Barros Leitão foram os convidados do apresentador Pedro Fernandes num 5 para a meia-noite animado e que teve direito a basquete em directo e tudo!