“Tenho uma relação muito saudável com o dinheiro, não o esbanjo mas também não sou avarenta”

A celebrar 10 anos de carreira, Rita pereira sente-se uma privilegiada, mas acredita que tudo tem sido fruto do seu trabalho e da sua dedicação

Há entrevistas que não são programadas mas que vêm até nós. Foi o caso. Ao ver algumas das espectaculares fotos tiradas em Moçambique que Rita Pereira publicou na sua página de Facebook, a Lux sabia que as mesmas — feitas para a campanha da estilista Micaela Oliveira — seriam um bom motivo de conversa. Ou não tivesse a actriz visitado um dos continentes que mais admira. A celebrar 10 anos de carreira, Rita Pereira partilhou com a Lux não só as emoções de uma viagem a Moçambique — onde foi fotografada no meio das ruas de Mafalala, o bairro onde nasceu Eusébio, e visitou uma reserva de elefantes — mas também tudo o que conquistou ao longo de uma década. Aos 31 anos, a actriz sente-se grata pelo seu percurso até agora, mas consciente de que é fruto de muito trabalho: “A sorte aparece, há que saber juntar-lhe trabalho, dedicação, profissionalismo, humildade, vontade de ser melhor e capacidade de não desistir”, defende. Numa espécie de balanço de uma década, uma das coisas que mais lhe dão prazer é poder possibilitar aos que ama momentos inesquecíveis. “Não nasci numa família com capacidades financeiras elevadas e isso faz com que o dinheiro tenha trazido à minha vida a possibilidade de proporcionar à minha família o que ela, de outra forma, não conseguiria ter. Partilho tudo com eles e dá-me um enorme prazer poder fazê-lo. Tenho uma relação muito saudável com o dinheiro, não o esbanjo mas também não sou avarenta”, revela. Sem tabus, mas já cansada de que a abordem com questões da sua vida sentimental, Rita Pereira afirma que se sente feliz e tranquila. Mas não esconde que, às vezes, ser famosa pode ser um entrave na hora de se apaixonar…

Foi a primeira vez que esteve em Moçambique. O que é que sentiu?

Foi a primeira vez, sim. Tive o prazer de desfilar no Moçambique Fashion Week, fotografar a campanha da Micaela Oliveira no centro de Maputo e no bairro da Mafalala, e visitar ainda uma reserva de elefantes.

Portugal está em crise, mas em Moçambique a realidade e a noção de crise são outras, não é? O que é que mais a marcou?

O que mais me marcou foi ver um povo que, mesmo com as dificuldades que atravessa, consegue ter um coração enorme e uma capacidade impressionante de enfrentar as adversidades. E ter ainda uma forma de acolher e uma alegria contagiantes.

Os miúdos sabiam quem era (através da TVI Internacional)? Como é que a receberam?

Falamos dos miúdos do bairro da Mafalala… Não, não faziam ideia de quem eu era, e essa foi mais uma razão para me conquistarem com sua forma amável e divertida de receber.

Não teve vontade de adoptar nenhuma daquelas crianças?

Honestamente, isso nem sequer me passou pela cabeça.

Nem despertou o relógio biológico? Ser mãe é um desejo?

Não, mas como a maioria das mulheres, também desejo ser mãe.

Sei que esta foi uma viagem de trabalho, mas acredito que seja difícil não nos deixarmos contagiar por aquele ambiente e por aqueles sorrisos puros. Voltou ‘diferente’?

Viajo muitas vezes para países que me “transformam”, e essa é uma das melhores razões para viajar.

Como é que foi ser fotografada naquele ambiente selvagem com vestidos de festa?

Foi óptimo. Tentei “adaptar” os vestidos ao ambiente através da postura e da emoção que procurei transmitir, quase como se tivessem sido inspirados no mesmo.

Identifica-se com o estilo Micaela Oliveira? O que é que achou da nova colecção?

Sim, embora, como é óbvio, nem todos os vestidos que ela desenha sejam do meu gosto, mas de uma maneira geral identifico-me. Achei que a colecção fugiu, de uma forma positiva, ao que estamos habituados a ver na Micaela. Manteve sempre o seu cunho pessoal, mas todos os vestidos são muito diferentes, direccionando-os assim para mulheres com gostos distintos, o que faz com que consiga abranger um mercado maior.

Este ano celebra 10 anos de carreira. Qual é o balanço?

[risos] Extremamente positivo. Não a trocaria por outra. Gosto muito do meu percurso e devo-o muito às pessoas que apostaram e confiaram em mim, aos actores que me deram a mão e me ensinaram muito, às pessoas que diariamente acompanham e apoiam o meu trabalho, e também à minha vontade de tentar melhorar de dia para dia. Conseguir ter passado pela televisão, pelo teatro, pelo cinema, pela apresentação e pela moda é excelente.

Diz-se que a sorte se procura. Foi assim ao longo destes 10 anos?

A sorte aparece, há que saber juntar-lhe trabalho, dedicação, profissionalismo, humildade, vontade de ser melhor e a capacidade de não desistir.

O que é que a marcou mais ao longo desta década?

Marcaram-me as pessoas com as quais trabalhei, projectos especiais como os Morangos com Açúcar e a Doce Fugitiva, o Emmy Award que a novela Meu Amor, da qual fiz parte, recebeu… A possibilidade de poder “dar a cara” por diversas marcas, a capacidade e a força, que não sabia ter, de continuar a trabalhar mesmo estando a passar por situações pessoais psicologicamente muito difíceis, os trabalhos internacionais nos quais tive o prazer de participar e, claro, o apoio incondicional da família e dos amigos mais próximos.

Sei que vai entrar numa nova telenovela. O que é que pode contar-nos sobre este desafio?

[risos] Não posso contar nada porque ainda não sei nada.

Em Março faz 32 anos e, graças ao seu trabalho, pode dizer que tem uma vida financeira desafogada, o que não é muito comum para uma mulher da sua idade. Atendendo à situação actual do País, sente que isso é um privilégio?

Sei que isso é um privilégio, sim, mas também sei que se deve ao meu trabalho.

O que é que o dinheiro trouxe à sua vida? Como é que se relaciona com ele?

Não nasci numa família com capacidades financeiras elevadas e isso faz com que o dinheiro tenha trazido à minha vida a possibilidade de proporcionar à minha família o que ela, de outra forma, não conseguiria ter. Partilho tudo com eles e dá-me um enorme prazer poder fazê-lo. Tenho uma relação muito saudável com o dinheiro, não o esbanjo mas também não sou avarenta.

Viajar é um dos maiores luxos que o dinheiro permite, e a Rita tem viajado muito. Que países já visitou, que experiências e recordações é que trouxe na bagagem? E que países deseja visitar em breve?

[risos] Essa é uma pergunta cuja resposta daria para escrever um livro. Não tenho um destino que deseje visitar em breve, pois raramente programo as minhas viagens, a maior parte decido de um dia para o outro.

Está sozinha há já alguns anos. Convive bem com essa solidão ou sente que já está na hora de se voltar a apaixonar?

[risos] Passo esta pergunta.

Acha que a sociedade exige demais das mulheres? Se é solteira, tem de se casar. Se está casada tem de ter filhos, etc., etc…

Acho que ao longo dos anos se têm observado grandes mudanças na sociedade que alteraram, de forma significativa, a vivência social e privada das pessoas. A conceção social de “ser mulher” já não tem nada a ver com o que era há 20 anos. A própria visão da mulher perante tal facto é diferente, ou seja, na minha opinião, a sociedade só nos exige o que nós permitirmos.

O facto de ser uma mulher bonita e muito famosa pode constituir um handicap na hora de se apaixonar?

[risos] Sem dúvida!

Consegue perceber quando alguém, especialmente um homem, se aproxima de si por interesse?

Seria tão mais fácil dizer “sim, consigo”, mas a verdade é que, por vezes, ainda tenho surpresas.

Uma pessoa famosa tem amigos? Como é que os filtra?

[grande gargalhada] É óbvio que tem. Tenho e muito bons amigos, amigos que dizem a verdade por mais difícil que seja ouvi-la, amigos que me dão a mão nos momentos mais difíceis, e amigos que me fazem rir sem parar. Acho que os conhecidos é que se filtram. Os amigos, vamos percebendo, com o tempo e com a convivência, quem são.

Ainda acredita no príncipe encantado? Se sim, como é que é o seu?

Guardo isso para mim.

Numa entrevista recente, afirmou que não deseja ser magra, que gosta de ter formas e de estar em forma. Sempre se relacionou bem com o seu corpo?

Nunca me desesperei por sentir que, em determinada altura, pudesse ter um ou outro quilo a mais. Sempre pratiquei desporto, nunca tive de passar por uma dieta extrema e sou feliz como sou. Isso é relacionar-me bem com o meu corpo?!

Essas declarações deram lugar a uma troca de palavras pouco simpáticas no Instagram com Pedro Crispim…

Não quero alimentar mais polémicas.

Quais são os seus segredos de beleza?

Não ter segredos de beleza. Tenho rituais comuns, como aplicar creme hidratante, cuidar bem do cabelo, fazer desporto, beber um litro de água por dia, desmaquilhar-me sempre, nada de especial.

Especula-se muito sobre possíveis intervenções cirúrgicas que teria feito, embora já tenha desmentido isso várias vezes. Se tivesse feito não teria problemas em assumir?

Já disse dezenas de vezes que não teria problemas em assumir.

Sente-se uma mulher sexy?

Não pretendo sê-lo.

Rita Pereira não sabe quando voltará à televisão

A actriz ainda não sabe quando irá regressar aos ecrãs, apesar do contrato de exclusividade que a liga à TVI.

“Não tenho trabalhos marcados como actriz na TVI, não vou entrar na próxima novela e não sei quando irei voltar à televisão”, disse Rita Pereira ao SAPO TV.

A actriz terminou as gravações da novela Destinos Cruzados em Agosto e vai estar uma temporada afastada do pequeno ecrã. As gravações da próxima novela da estação de Queluz, O Beijo do Escorpião, já começaram e a adaptação da novela El Último Matrimónio Feliz também não irá contar com ela. Mesmo com estas declarações, uma revista semanal avança que, sem confirmação, o nome de Rita Pereira é apontado pela produção para entrar em Quatro Mulheres (o título provisório da adaptação sul-americana de El Último Matrimónio Feliz), juntamente com Alexandra Lencastre, Helena Isabel, Paula Lobo Antunes e Fernanda Serrano.

“Como não tenho qualquer jeito para cantar até já disse à Cristina Ferreira que posso fazer de bailarina nas actuações de A Tua Cara Não Me É Estranha, acrescentou Rita, com ironia.

“Para quem está de fora pode parecer muito tempo de afastamento, mas ainda só passaram três meses e eu gravo 12 horas por dia durante onze meses”, concluiu Rita Pereira, que vai aproveitando o tempo livre para trabalhos de moda, campanhas publicitárias e sessões de autógrafos. Este tempo de pausa até “sabe bem” à actriz, que passou os últimos três meses a viajar.