Directora por um dia… Rita Pereira

Ser directora de uma revista que tanta coisa má já escreveu sobre mim. Porquê? Porque a maturidade ensina-nos a ter jogo de cintura. Há oito anos atrás seria impensável. Hoje estou diferente. A profissão que escolhi não pode estar de costas voltadas para a Imprensa, mas de mãos dadas. Lembram-se da professora que nos obrigava a fazer uma fila e a dar a mão ao colega da frente? Não gostávamos, mas tinha de ser! Esta profissão “manda” que assim o seja. Se eu não quiser, tenho bom remédio: mudo de profissão! Mas isto não significa que passei a aceitar tudo, mas sim que terei de gerir este amor/ódio. Acho que já aprendi.

Confesso que me diverti. Cheguei à redacção dez minutos antes da hora marcada, entrei de sorriso aberto e disse: “Hoje vou conhecer as caras das mentiras”. O meu sorriso não foi retribuído. Tentei quebrar o gelo. “Aumento de ordenado e férias prolongadas para todos”. OK, ganhei a atenção. Sentámo-nos na sala do director, corrijo, directora, e conversámos sobre o tema da capa. Bloqueei. Esta é a parte difícil de ser-se jornalista de revistas cor-de-rosa… Sobre o que falar, na privacidade de quem entrar? As sugestões não eram dadas de ânimo leve. Afinal os jornalistas não são filhos da mãe, se bem que às vezes fingem bem, tal como os actores não são uns vendidos, se bem que às vezes fingimos bem também.

É realmente um equilíbrio difícil para todos. Por vezes não corre bem e passam-se linhas, mas nem sempre isso faz das pessoas que o fazem más pessoas.

Rita Pereira